Brasil e Angola avançam em acordo histórico para cooperação agrícola e investimentos

LUANDA/BRASÍLIA, 25 de Janeiro de 2026 – Os governos do Brasil e de Angola deram um passo decisivo no fortalecimento da parceria estratégica no setor agropecuário. Em missão oficial em Luanda, o ministro da Agricultura e Pecuária do Brasil, Carlos Fávaro, protocolou, na terça-feira (20), uma proposta formal de cooperação que reúne o interesse de mais de 30 grupos produtores brasileiros em investir no país africano. O acordo, que conta com o potencial financiamento do BNDES, Banco do Brasil e da Corporação Financeira Internacional (IFC), visa transferir tecnologia, aumentar a produção de alimentos e reforçar a segurança alimentar angolana.
Proposta brasileira é protocolada em Luanda
Durante uma série de reuniões de alto nível com a equipa económica angolana, liderada pelo ministro de Estado para a Coordenação Económica, José de Lima Massano, o ministro Carlos Fávaro apresentou a proposta detalhada de cooperação. A iniciativa é resultado de um grupo de trabalho entre o governo brasileiro, empresários e produtores rurais. “Fizemos questão de vir trazer formalmente a proposta brasileira gerada num grupo de trabalho com produtores, empresários e o Governo brasileiro, para investimentos em Angola, transferência de tecnologia, cooperação, para que brasileiros e angolanos produzam mais nesses solos que forem identificados com grande potencial”, declarou Fávaro à imprensa.
Além de Massano, participaram dos encontros a ministra das Finanças, Vera Daves, o ministro em exercício da Agricultura e Florestas, João da Cunha, e representantes do Banco de Desenvolvimento de Angola (BDA), do Fundo Soberano de Angola e da IFC.
Principais Pilares e Financiamento do Acordo
| Elemento do Acordo | Detalhes |
|---|---|
| Interesse Produtivo | Mais de 30 grupos empresariais e produtores brasileiros manifestaram interesse formal em investir em projetos agrícolas em Angola. |
| Foco Inicial | Produção de cereais (milho, soja), algodão, carne bovina e suína. |
| Financiamento Brasileiro | Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e Banco do Brasil (via linha de crédito à exportação) disponibilizados para financiar os investimentos. |
| Financiamento Internacional | Corporação Financeira Internacional (IFC), braço do Banco Mundial, demonstrou interesse em financiar as operações previstas. |
| Áreas Identificadas | Províncias do Cuanza Norte, Uíje e Malanje (fase inicial). Também há terras disponíveis em Moxico Leste, Cuando Cubango, Lunda Norte e Lunda Sul. |
| Área Disponível Inicial | Pelo menos 20 mil hectares para arrancar o projeto. |
Benefícios Mútuos e Próximos Passos
Para o ministro Fávaro, a parceria oferece “ganhos concretos” para ambas as nações. O Brasil amplia as oportunidades de exportação de máquinas, equipamentos, sementes, insumos e know-how tecnológico. Já Angola avança no objetivo de aumentar a produção doméstica de alimentos, reduzir a dependência de importações e fortalecer sua segurança alimentar. “O Brasil tem muito a contribuir com sua experiência em pesquisa agropecuária e em tecnologias de baixo carbono. Avançar nessa parceria é beneficiar ambos os países”, afirmou o ministro.
O projeto inclui a construção de infraestruturas complementares, como armazéns e sistemas de irrigação, financiáveis pelo BNDES. O próximo passo está marcado para março de 2026, quando uma delegação técnica angolana deve se deslocar ao Brasil para acertos finais antes do início das operações. “O limite de investimento é de acordo com a demanda”, ressaltou Fávaro, enfatizando a determinação do governo Lula na concretização da parceria.
Perguntas Frequentes (FAQ)
Quais culturas são o foco inicial do acordo Brasil-Angola?
O acordo tem como foco inicial a produção de grãos, como milho e soja, além de algodão e proteína animal (bovina e suína). Quatro grandes grupos brasileiros já identificaram oportunidades nestas áreas.
Como os investimentos serão financiados?
O financiamento terá três fontes principais: 1) Linhas de crédito do BNDES e do Banco do Brasil para exportação; 2) Potencial participação da Corporação Financeira Internacional (IFC), do Banco Mundial; 3) Participação do governo e de investidores angolanos na estruturação dos projetos.
Quando os projetos devem começar a ser implementados?
Após a visita de uma delegação técnica angolana ao Brasil em março de 2026 para acertos finais, espera-se que os primeiros investimentos e o início das operações ocorram em seguida, nas províncias inicialmente identificadas.
