Bitcoin desafia lógica e não sobe com dólar fraco; análise do J.P. Morgan aponta motivo

Bitcoin desafia lógica e não sobe com dólar fraco; análise do J.P. Morgan aponta motivo

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SÃO PAULO, 29 de Janeiro de 2026 – O Bitcoin (BTC) operava com leve baixa, próximo à faixa de US$ 88 mil nesta quarta-feira, em um movimento que intriga o mercado: a criptomoeda não está se beneficiando da tradicional fraqueza do dólar americano. Enquanto o ouro e outros ativos reais disparam para máximas históricas, o BTC segue preso em um canal lateral, desafiando sua antiga narrativa de “ouro digital”. Analistas do J.P. Morgan atribuem o fenômeno a uma mudança na percepção do mercado, que agora trata o ativo mais como um indicador de risco sensível à liquidez.

O cenário dos preços e a contradição

Nesta sessão, o preço do Bitcoin variou entre US$ 87.657 e US$ 88.960, consolidando-se na parte baixa desse intervalo. Dados do CoinGecko mostravam o BTC cotado a US$ 87.871, uma queda de 2,2% nas últimas 24 horas. Em Reais, a moeda digital era negociada a aproximadamente R$ 444.143. O movimento contrasta fortemente com o desempenho do ouro, que nesta semana ultrapassou a marca de US$ 5.500 por onça, e com a queda de cerca de 10% no Índice do Dólar Americano (DXY) nos últimos meses – um cenário que, no passado, costumava ser extremamente favorável para o BTC.

Principais Dados do Mercado

IndicadorValor / Situação
Preço do Bitcoin (BTC/USD)~US$ 87.900 (variação de -1.35% a -2.4%)
Preço do Bitcoin em Reais (BTC/BRL)~R$ 444.143
Índice do Dólar (DXY)Queda de ~10% em meses recentes
Preço do OuroSuperou US$ 5.500/onça (máxima histórica)
Capitalização de Mercado do BTCUS$ 1.76 trilhão
Contexto MacroFed manteve juros estáveis; incertezas geopolíticas e fiscais nos EUA

A explicação dos estrategistas

Em nota a clientes, estrategistas do J.P. Morgan Private Bank destacaram que o Bitcoin está se comportando mais como um ativo de risco sensível à liquidez do que como uma reserva de valor pura, como o ouro. “O dólar mais fraco não está conseguindo impulsionar a tradicional alta do bitcoin”, afirmaram. A justificativa é que, no atual ambiente, os investidores institucionais e o mercado em geral ainda priorizam a liquidez e a aversão ao risco em um cenário de cautela global, relegando a tese macro de hedge contra a desvalorização da moeda fiduciária para um segundo plano. Sem um catalisador claro de liquidez ou uma mudança no sentimento de risco, o BTC tende a ficar “preso” entre US$ 85 mil e US$ 95 mil.

O mercado brasileiro e o futuro

No Brasil, a cotação do Bitcoin reflete a volatilidade internacional, com a conversão direta do preço em dólar para o Real, que por sua vez opera próximo a R$ 5,43. Especialistas locais apontam que a mínima do dólar pode, paradoxalmente, limitar um avanço mais vigoroso do BTC no curto prazo, pois reduz o apetite imediato por proteção cambial. Apesar disso, a tese de longo prazo para o Bitcoin como reserva de valor estratégica complementar – inclusive para governos – segue viva, embora o Fundo Monetário Internacional (FMI) projete o domínio contínuo do dólar no sistema monetário global até pelo menos 2046.

Perguntas Frequentes (FAQ)

Por que o Bitcoin não sobe com o dólar fraco?

De acordo com analistas do J.P. Morgan, o mercado atualmente trata o Bitcoin mais como um ativo de risco (como ações de tecnologia) do que como um “ouro digital”. Em tempos de cautela e busca por liquidez, mesmo com o dólar fraco, os investidores preferem migrar para ativos considerados refúgios tradicionais e mais líquidos, como o próprio ouro.

Qual o preço do Bitcoin em Reais hoje?

Na manhã desta quarta-feira, 29 de janeiro de 2026, o Bitcoin era cotado a aproximadamente R$ 444.143, com base na conversão do preço em dólar e na taxa do câmbio comercial.

O que esperar para o Bitcoin nas próximas semanas?

O consenso entre analistas é de consolidação técnica dentro do canal entre US$ 85 mil e US$ 95 mil. A evolução dependerá de novos sinais de liquidez global, do desenrolar das incertezas geopolíticas e da temporada de balanços corporativos nos EUA, que pode drenar atenção e capital de outros mercados.