Dólar opera em forte queda e se aproxima de R$ 5,25 com alívio externo e fluxo recorde

Dólar opera em forte queda e se aproxima de R$ 5,25 com alívio externo e fluxo recorde

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SÃO PAULO/BRASÍLIA, 27 de Janeiro de 2026 – A moeda norte-americana registra uma desvalorização acentuada frente ao real nesta terça-feira, negociada próximo a R$ 5,25. O movimento é impulsionado por uma combinação de fatores: a redução das tensões geopolíticas envolvendo os Estados Unidos, um fluxo histórico de dólares entrando no mercado brasileiro e a expectativa de manutenção de juros altos no país. O cenário contrasta com o desempenho vigoroso da Bolsa de Valores (Ibovespa), que renovou recordes históricos na semana.

Cotação e Movimento do Dia

Por volta das 10h10, o dólar à vista operava em queda de 0,48%, sendo negociado a R$ 5,2545. A divisa acumula uma desvalorização de 3,81% no mês de janeiro. A cotação do dólar comercial para fechamentos recentes tem girado entre R$ 5,28 e R$ 5,29. A taxa PTAX oficial, divulgada pelo Banco Central, fechou em R$ 5,2760 na segunda-feira (26), com variação negativa de 0,23%.

Principais Motores da Queda

FatorImpacto no Dólar
Alívio GeopolíticoRecuo do presidente dos EUA, Donald Trump, em ameaças tarifárias à Europa e no tom sobre a Groenlândia reduziu a aversão global ao risco.
Fluxo Estrangeiro RecordeEntrada líquida de mais de R$ 12 bilhões na Bolsa brasileira em janeiro, atraídos por juros altos (Selic a 15%) e avaliações atrativas.
Dados de Inflação DomésticosIPCA-15 de janeiro subiu 0,20%, abaixo do esperado, reforçando expectativa de corte futuro de juros pelo BC, mas mantendo atrativo do carry trade.
Decisões de Bancos CentraisMercado aguarda reuniões do Copom (Brasil) e do Federal Reserve (EUA) nesta semana, com expectativa de manutenção das taxas.

Contexto Econômico e Projeções

O início de 2026 tem sido marcado por uma fuga de capitais de ativos americanos em direção a mercados emergentes. Analistas apontam que a instabilidade política nos EUA, somada ao diferencial de juros favorável ao Brasil, tem feito do real e dos ativos locais um destino preferencial. O Ibovespa acumula alta de 11,01% no ano, superando a marca de 178 mil pontos.

No front doméstico, a primeira reunião do Copom do ano começou nesta terça-feira. O Boletim Focus, divulgado na segunda, manteve a projeção do mercado de que a taxa Selic terminará 2026 em 12,25% ao ano, ante os atuais 15%, indicando expectativa de cortes a partir do primeiro trimestre.

Impactos e Análise

A valorização do real e a consequente queda do dólar têm efeitos ambíguos na economia. De um lado, ajudam a conter a inflação ao baratear produtos importados, como petróleo e insumos industriais. Por outro, prejudicam os exportadores, que recebem menos em reais pela venda de commodities. Editorial da Gazeta do Povo destaca que a política cambial será tema central no debate eleitoral de 2026, dado seu impacto direto no crescimento e na estabilidade de preços.

Perguntas Frequentes (FAQ)

Qual a diferença entre dólar comercial e dólar turismo?

O dólar comercial é usado em transações entre bancos, instituições financeiras e empresas no comércio exterior. Já o dólar turismo é a cotação para pessoas físicas, utilizada em viagens, compras no exterior e cartões pré-pagos. O turismo é sempre mais caro, podendo ser até 8% superior, devido a custos operacionais, logística e menor volume de transações.

Por que o dólar está caindo tanto?

A queda é resultado de três forças principais: 1) Fuga de capitais dos EUA para mercados emergentes como o Brasil, devido a instabilidade geopolítica; 2) Juros altos no Brasil (Selic a 15%), que tornam investimentos em reais muito atrativos; 3) Alívio no cenário internacional, com o recuo de tensões comerciais envolvendo os Estados Unidos.

O que esperar para os próximos dias?

O mercado estará focado nas decisões de juros do Copom (Brasil) e do Federal Reserve (EUA), que serão anunciadas nesta quarta-feira (28). A expectativa é que ambos os bancos centrais mantenham as taxas inalteradas. Qualquer sinal de cortes mais acelerados no Brasil ou de turbulência institucional nos EUA pode influenciar a trajetória do câmbio.