Coração Acelerado: Quando é Normal e Quando Buscar Ajuda Médica

Coração Acelerado: Quando é Normal e Quando Buscar Ajuda Médica

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BRASIL, 16 de Janeiro de 2026 – A sensação de coração acelerado, ou palpitações, é comum e pode ser desencadeada por diversos fatores, desde uma situação de estresse até ondas de calor intenso. No entanto, em alguns contextos, esse sintoma pode sinalizar condições cardíacas que exigem atenção. Especialistas alertam para a importância de reconhecer os sinais de alerta, especialmente em períodos de temperaturas elevadas, que sobrecarregam o sistema cardiovascular e aumentam os riscos de infarto e AVC.

Calor Extremo: Um Inimigo do Coração

O aumento das temperaturas, registrado com frequência no Brasil, coloca o organismo em estado de alerta. Em dias muito quentes, o corpo dilata os vasos sanguíneos da pele para perder calor, o que reduz a pressão arterial. Para compensar, o coração acelera os batimentos. Esse mecanismo, somado à perda de líquidos e eletrólitos pelo suor, pode levar a desidratação, queda de pressão, tontura e arritmias. Uma meta-análise publicada no The Lancet associou cada aumento de 1°C na temperatura a um aumento de 2,1% na mortalidade por doenças cardiovasculares.

Principais Causas e Fatores de Risco

Causa/FatorEfeito no Coração
Calor Extremo e DesidrataçãoVasodilatação, queda de pressão, perda de eletrólitos. Aumenta risco de arritmias, infarto e AVC.
Estresse, Ansiedade e DepressãoLiberação de hormônios como cortisol e adrenalina, que elevam a pressão e a frequência cardíaca, agredindo as artérias.
Esforço FísicoAumento natural da frequência cardíaca para suprir os músculos. Em excesso ou no calor, pode levar a exaustão.
GravidezAumento de até 50% no volume sanguíneo exige mais trabalho do coração, elevando a frequência em repouso.
Doenças da Tireoide (ex: Hipertireoidismo)Produção excessiva de hormônios acelera o metabolismo e a frequência cardíaca.
Bradicardia (Frequência Baixa)Coração bate menos de 50 vezes por minuto. Pode ser normal em atletas, mas sintomática exige investigação.

Sinais de Alerta que Exigem Atendimento Médico

Nem toda palpitação é grave, mas alguns sintomas associados não devem ser ignorados. Em períodos de calor intenso ou em qualquer situação, busque ajuda imediata se o coração acelerado vier acompanhado de:

  • Dor ou aperto no peito que irradia para braço, mandíbula ou costas.
  • Falta de ar intensa ou sensação de sufocamento.
  • Desmaio (síncope) ou tontura severa com visão turva.
  • Confusão mental, sudorese fria ou náuseas.
  • Palpitações persistentes ou que pioram rapidamente.

Em caso de suspeita de ataque cardíaco, a ação deve ser imediata: ligue para o serviço de emergência (192), sente-se ou deite-se, e, se não for alérgico, mastigue um comprimido de aspirina. Não dirija até o hospital.

Populações de Maior Risco

Alguns grupos devem redobrar os cuidados com a saúde cardiovascular, especialmente durante o calor:

  • Idosos: Sentem menos sede e desidratam com facilidade.
  • Pessoas com doenças crônicas: Hipertensão, diabetes, insuficiência cardíaca, histórico de infarto ou AVC.
  • Pacientes em uso de diuréticos ou anti-hipertensivos: Os medicamentos podem potencializar a perda de líquidos.
  • Gestantes: As adaptações cardiovasculares da gravidez as tornam mais suscetíveis.
  • Trabalhadores e atletas expostos ao sol: Têm maior risco de desidratação e exaustão térmica.

Prevenção e Cuidados no Dia a Dia

Adotar hábitos saudáveis é fundamental para proteger o coração:

  • Hidratação: Beba água regularmente. A recomendação é de cerca de 35 ml por quilo de peso por dia, aumentando no calor.
  • Alimentação e Eletrólitos: Reponha sais minerais com água de coco ou bebidas isotônicas em casos de suor intenso.
  • Ambiente: Procure locais frescos, ventilados ou climatizados, especialmente nos horários mais quentes (10h-16h).
  • Exercício Físico: Pratique em horários mais amenos (início da manhã ou fim da tarde), com intensidade reduzida e hidratação reforçada.
  • Roupas: Use tecidos leves, claros e folgados.
  • Controle do Estresse: Técnicas de respiração, meditação e acompanhamento psicológico ajudam a gerenciar a ansiedade.
  • Check-up Regular: Consultas e exames periódicos (como eletrocardiograma) são essenciais para diagnóstico precoce, principalmente para quem tem fatores de risco.

Perguntas Frequentes (FAQ)

Qual é a frequência cardíaca considerada normal?

Em adultos em repouso, considera-se normal uma frequência entre 60 e 100 batimentos por minuto (bpm). Atletas podem ter frequências mais baixas (50-60 bpm), o que é considerado normal devido ao condicionamento.

O que é a Síndrome do Coração Partido?

É uma disfunção cardíaca temporária, desencadeada por estresse emocional ou físico intenso (como luto ou susto). Os sintomas se assemelham ao infarto (dor no peito, falta de ar), mas geralmente não há obstrução das artérias. É mais comum em mulheres após a menopausa e a recuperação costuma ocorrer em dias ou semanas.

Coração acelerado na gravidez é normal?

Sim, é uma resposta fisiológica comum. O volume de sangue da gestante pode aumentar até 50%, exigindo mais esforço do coração, que pode bater entre 80 e 100 bpm em repouso. No entanto, se acompanhado de falta de ar intensa, dor no peito ou desmaio, é necessário investigar.

Como baixar a frequência cardíaca naturalmente?

Em momentos de ansiedade ou após esforço, técnicas de respiração profunda, meditação e alongamento podem ajudar. A longo prazo, a prática regular de exercícios físicos aeróbicos (caminhada, natação, ciclismo) torna o coração mais eficiente e reduz a frequência em repouso.

Quando a frequência cardíaca baixa (bradicardia) é preocupante?

Batimentos abaixo de 50 bpm em repouso podem ser normais para atletas. Tornam-se preocupantes quando causam sintomas como cansaço extremo, tontura, falta de ar ou desmaios, pois podem indicar problemas no sistema elétrico do coração ou efeitos de medicamentos.