Mais de 250 Presos Foragidos Após Saidinha de Natal no Rio: Crise no Sistema e Debate Nacional

Mais de 250 Presos Foragidos Após Saidinha de Natal no Rio: Crise no Sistema e Debate Nacional

250 presos saidinha

A tradição da “saidinha de Natal” no sistema prisional brasileiro terminou 2025 com um saldo alarmante no Rio de Janeiro: 259 presos não retornaram às celas. A maioria é vinculada a facções criminosas, com destaque para o Comando Vermelho (CV), levantando um alerta máximo sobre segurança pública e a eficácia do benefício. Enquanto isso, dados nacionais revelam que, mesmo com uma nova lei mais restritiva, mais de 46 mil detentos foram liberados temporariamente em todo o país.

O episódio reacendeu o debate fervoroso no Congresso Nacional sobre o futuro da saída temporária. Apesar de uma queda de 11,5% no número de beneficiados em relação a 2024, a fuga em massa no Rio expõe falhas críticas na concessão, monitoramento e no próprio conceito da ressocialização no Brasil.

Os Números da Evasão no Rio de Janeiro

Conforme apurado por veículos de imprensa, a situação no estado fluminense é grave. Dos 1.868 presos que receberam o benefício da Visita Periódica ao Lar (VPL) por ocasião do Natal, centenas simplesmente não voltaram. As autoridades já tratam os casos como evasão, iniciando buscas por detentos considerados de alta periculosidade.

ItemDadoContexto
Presos Beneficiados (RJ)1.868Com direito à “saidinha” de Natal 2025.
Presos que NÃO Retornaram259+Em situação de foragidos.
Facção com Maior EvasãoComando Vermelho (CV)Mais de 150 integrantes do CV estão entre os foragidos.
StatusAlta PericulosidadeMuitos dos foragidos são considerados perigosos.

O Panorama Nacional da Saidinha de Natal 2025

Em escala nacional, o programa de saída temporária segue em larga escala. Apesar de projetos de lei em tramitação no Senado que visam restringir ou até extinguir os “saidões”, a prática continuou em 2025 com números expressivos, ainda que menores que os do ano anterior.

AnoPresos Beneficiados (Brasil)VariaçãoObservação
202357.235Base de comparação.
2024Aprox. 52.000*Queda em relação a 2023*Número estimado com base na queda de 11,5%.
2025>46.000Queda de ~11,5%Dado oficial divulgado para a saidinha de Natal.

Essa redução é atribuída à Lei 14.843/2024, que tornou os critérios para concessão do benefício mais rigorosos. No entanto, o caso do Rio mostra que os mecanismos de fiscalização e as avaliações de risco individuais podem estar falhando.

Como Funcionava a Saída Temporária (Regras Atuais em Revisão)

Até recentemente, a saída temporária era um direito previsto na Lei de Execução Penal. As regras vigentes antes das novas propostas eram:

  • Quem tinha direito: Condenados em regime semiaberto.
  • Duração: Até 7 dias por saída.
  • Frequência: Até 5 saídas anuais (ou 4, conforme interpretação), geralmente em datas comemorativas como Natal, Páscoa e Dia das Mães.
  • Concessão: Decisão judicial, analisando comportamento carcerário e risco.

“A evasão de mais de 250 presos, muitos de alta periculosidade, coloca em risco a segurança da população e questiona profundamente os critérios usados para conceder o benefício”, analisa um especialista em segurança pública.

O Debate no Congresso: Extinção ou Reforma?

O episódio no Rio dá força a um projeto já aprovado na Câmara dos Deputados e que agora está no Senado, propondo o fim dos “saidões”. A proposta visa revogar a previsão de saídas coletivas em datas festivas. Por outro lado, juristas e defensores de direitos humanos argumentam que a medida é punitivista e prejudica a função ressocializadora da pena.

Os críticos à extinção total defendem uma correção do modelo, com avaliações técnicas mais criteriosas, uso de tornozeleiras eletrônicas para todos os beneficiados e um sistema de monitoramento eficaz, em vez de simplesmente acabar com a possibilidade de visita familiar.

Riscos e Impacto na Segurança Pública

A liberação temporária de um grande volume de detentos, somada a falhas no controle, gera um risco concreto. Especialistas apontam que o período das saidinhas frequentemente registra:

  • Aumento de crimes contra o patrimônio.
  • Recrudescimento de conflitos entre facções nas ruas.
  • Sobrecarga das polícias militares e civis.
  • Desgaste da confiança da população no sistema de justiça.

A fuga em massa no Rio transforma um risco teórico em uma crise de segurança pública real e imediata, demandando uma operação de recaptura complexa e dispendiosa.

Perguntas Frequentes

O que é a “saidinha de Natal”?

É a concessão da Visita Periódica ao Lar (VPL), um benefício da Lei de Execução Penal que permite a presos do regime semiaberto passarem até 7 dias com a família durante o período natalino, desde que atendam a critérios de comportamento. A decisão final é sempre judicial.

Quantos presos fugiram após a saidinha de 2025?

No estado do Rio de Janeiro, pelo menos 259 presos não retornaram às unidades prisionais após o fim do benefício. Em nível nacional, não há um número consolidado de evasões, mas o foco da crise está no RJ.

A saidinha vai acabar?

Há um projeto de lei aprovado na Câmara que propõe o fim das saídas temporárias coletivas (“saidões”). O texto agora está em análise no Senado Federal. O debate está acirrado entre quem defende a extinção pura e simples e quem advoga por uma reforma que corrija as falhas, mantendo o objetivo de ressocialização.

Quais facções estão envolvidas nas fugas no Rio?

Reportagens indicam que a maioria dos foragidos é integrante do Comando Vermelho (CV), a principal facção criminosa do estado. Mais de 150 evadidos são ligados ao CV, muitos com histórico de alta periculosidade.